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Ritual indígena na Reserva do Tupé | Manaus​

Ritual indígena na Reserva do Tupé | Manaus​

Em 2017 recebi a bênção de conhecer a Reserva São João do Tupé, a 25 quilômetros de barco de Manaus. Uma das maiores áreas protegidas do mundo, um conjunto de parques e reservas que cobre o último trecho do Rio Negro. Um índio velho, de cocar e rosto pintado de vermelho, Raimundo é um kissibi kumu, o homem que guarda o conhecimento tradicional dos índios dessana, dirige rituais e lidera a aldeia, mais conhecido como Pajé. Raimundo é um dos últimos kissibi kumu da Amazônia. Restam no máximo 1500 pessoas de sua etnia.

Logo compartilhou o mito de criação do mundo na língua de seu povo. Só isso já fez dessa ciranda peregrina valer a pena. Na última década, pelos menos 110 idiomas desapareceram na Amazônia. A maioria junto com seus falantes. Essa vivência se estendeu para o Ritual de iniciação na Sagrada medicina do Rapé, ao som das flautas indígenas com os rapazes em círculo, nos pés, os chocalhos conduzindo o ritmo dos passos, chamando as índias para a dança circular.

Raimundo nos presenteia com rezos milenares, cantorias e os saberes de seu povo. Além do rito de iniciação em um círculo sagrado nos ensinou a tocar flautar reconstruidas por ele, o Yupari, conjunto de flautas e trombetas feitas de tronco de palmeira e, segundo a crença dos dessana, do espírito dos mortos.

Em retiro adquiri saberes das quais firmaram minhas forças para continuar a Ciranda Peregrina pela cultura indígena, sendo uma defensora ativa pelo respeito e direitos indígenas. Algumas informações que não chegam até o meio urbano, tais como:

– No século XVIII, os dessana estavam entre as 250 tribos indígenas massacradas pelos portugueses na região do Rio Negro. – Os pais e avós de Raimundo foram obrigados a queimar seus instrumentos. O motivo? Os padres que vinham catequisar os índios diziam que o ritual com as flautas era obra do demônio. – No século XIX, os índios que ainda estavam na floresta foram convencidos ou forçados a se mudar para vilas inventadas na beira do Rio Negro. Isolados, muitos morriam de fome e de doenças. – Os que restaram foram caçados de novo durante a febre da borracha.
 
Diante disso tudo, dá pra dizer, que este é um grupo de sobreviventes.
No fim do ritual, a tribo chamam os participante para a dança, todos na roda do yupari, nos dando licença de sermos pontes no meio urbano como canalizadores da medicina sagrada do Rapé e de Rodas medicinais com danças indígenas, cantos de poder e rezos ancestrais.

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